Salma Bahia – Vice-Prefeita de Senador Canedo, Goiás
No mês das mulheres, ela fala com o coração sobre o que uma mulher na política ainda sofre por trás dos bastidores.




Em seu discurso na Câmara Municipal de Senador Canedo ela falou tudo e toda a verdade que acontece não só com ela, mas com centenas de mulheres espalhadas pelo estado nas repartições publicas. Acompanhe na Integra
Hoje nos reunimos nesta casa para celebrarmos o Dia Internacional da Mulher. Mas eu quero começar dizendo algo que precisa ser dito com honestidade: essa não pode ser apenas uma data de homenagens. A realidade das mulheres, especialmente das mulheres na política, ainda está longe de ser aquilo que os discursos festivos costumam apresentar.
A política brasileira ainda carrega estruturas profundamente marcadas pelo machismo. Estruturas onde a presença feminina muitas vezes é tolerada, mas nem sempre respeitada. E quando uma mulher ocupa um espaço de decisão, seja no Legislativo ou no Executivo, frequentemente precisamos enfrentar algo que muitos preferem não admitir: a tentativa constante de diminuir sua voz, questionar sua legitimidade ou invisibilizar seu trabalho.
Não se trata aqui de divergência política. Divergência faz parte da democracia. O que muitas mulheres enfrentam é algo diferente: a indiferença institucional, o desrespeito velado, a tentativa silenciosa de desqualificar. Indiferença e desrespeito também são formas de violência política contra a mulher.


E eu falo disso não apenas como observadora. Falo também a partir da minha própria trajetória recente na vida pública. Ao longo desse período, enfrentei situações de desconsideração política que ultrapassam o campo do debate democrático. Situações que muitas vezes se aproximam daquilo que podemos reconhecer como violência moral no ambiente político.
É importante dizer que o respeito às mulheres na política precisa existir em todos os espaços de poder. Não apenas no debate legislativo, mas também dentro do próprio Executivo. Porque quando há indiferença, desconsideração institucional ou tentativa de diminuir o papel de uma mulher que ocupa função pública, o que está sendo afrontado não é apenas uma pessoa: é o princípio da igualdade e do respeito que deve orientar a gestão pública.
Quando uma mulher é sistematicamente ignorada, desrespeitada ou colocada à margem das decisões, não é apenas uma pessoa que está sendo atingida. É o próprio princípio da representatividade feminina que está sendo desafiado.
Quero afirmar algo aqui com absoluta serenidade e firmeza: isso não me intimida, isso não me silencia. Muito pelo contrário! Cada dificuldade enfrentada por uma mulher na política apenas reforça a certeza de que precisamos continuar ocupando esses espaços com coragem, dignidade e consciência do que representamos.
Porque quando uma mulher é desrespeitada na política, não é apenas uma pessoa que está sendo atingida: é um símbolo de uma luta, é uma geração inteira de mulheres que ainda busca igualdade de voz e de reconhecimento.
Por isso, neste dia em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, não quero apenas homenagear as mulheres. Quero reafirmar um compromisso: o compromisso de continuar exercendo a minha função pública com independência, coragem e respeito ao povo que me representa.


E também com a firmeza necessária para nunca aceitar que o machismo político seja tratado como algo normal dentro das instituições. Porque a política precisa evoluir. E a democracia só será plena no dia em que as mulheres puderem exercer seus mandatos, suas funções e suas lideranças sem precisar lutar diariamente apenas para serem respeitadas.
Eu sigo aqui, com respeito, de cabeça erguida, com consciência do meu papel e com a convicção de que nenhuma forma de desrespeito será capaz de diminuir a força de uma mulher que sabe por que está na vida pública.
Muito obrigada! Que Deus abençoe a todos nós com muita luz, sabedoria e proteção!
Direto da redação para Top News Goiás
Wellintom Stival
Fotos Vanilza Coutrin






