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A eleição presidencial pode ser decidida no primeiro turno? Entenda

Pesquisas mostram Lula e Flávio à frente, mas especialistas apontam obstáculos para que um deles alcance mais de 50% dos votos válidos.

Flávio E Lula 2026 (4)
Flávio E Lula 2026 (4)

A 9 dias da para o primeiro turno das Eleições 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a busca por votos para tentar ampliar a concentração do eleitorado nos dois principais candidatos. Apesar da polarização, as pesquisas mais recentes ainda mostram uma parcela dos votos distribuída entre outros nomes, o que dificulta uma definição da disputa já em 4 de outubro.

Para vencer no primeiro turno, um candidato à Presidência precisa conquistar mais da metade dos votos válidos (50% + 1), cálculo que exclui brancos e nulos. Caso ninguém alcance a maioria absoluta, os dois mais votados disputam o segundo turno em 25 de outubro.

O Datafolha divulgado na quinta-feira (24/9) mostra Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 36%. Augusto Cury (Avante) aparece com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% estão indecisos. O levantamento ouviu 2.002 eleitores nos dias 22 e 23 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

No Distrito Federal, a pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política também publicada na quinta, também registrou avanço dos dois candidatos. No cenário estimulado, Flávio Bolsonaro aparece com 40,8% das intenções de voto, enquanto Lula tem 33,6%. Juntos, os dois somam 74,4%, ante 64,7% registrados em agosto. Ronaldo Caiado tem 7,1%, Augusto Cury, 4,8%, e Renan Santos, 2,5%. O levantamento ouviu 1.132 eleitores presencialmente, entre 17 e 19 de setembro, e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Já a Quaest, divulgada na segunda-feira (21/9), também mostrou os dois candidatos à frente dos demais. Lula registrou 37% e Flávio, 33%. Cury apareceu com 6%, Caiado, com 4%, Renan, com 3%, e Zema e Samara, com 1% cada. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Flávio E Lula 2026 (2)
Flávio E Lula 2026 (2)

Para o especialista em direito eleitoral Getulio Immich, os levantamentos ainda não permitem afirmar que a eleição será encerrada no primeiro turno. “As pesquisas recentes, consideradas em conjunto, não mostram hoje nenhum candidato alcançando a maioria necessária para vencer no primeiro turno”, afirma ao Correio.
Immich destaca que a análise não deve considerar apenas a intenção de voto dos dois primeiros colocados. Rejeição, grau de certeza do voto, número de indecisos e desempenho das demais candidaturas também ajudam a entender quanto espaço existe para mudanças até a votação. “O erro é olhar somente para o percentual dos dois primeiros colocados”, ressalta.

O especialista em relações governamentais Eduardo Galvão também considera que existe possibilidade de uma definição no primeiro turno, mas pondera que os números ainda não apontam de forma clara para esse cenário. “A eleição já está bastante polarizada, mas polarização não é sinônimo de maioria absoluta. Ainda falta transformar concentração política em maioria matemática”, explica ao Correio.

Voto útil entra na disputa
Com a aproximação da votação, as campanhas dos dois primeiros colocados passaram a mirar principalmente os eleitores que ainda apoiam candidatos com percentuais menores. Esse movimento, conhecido como voto útil, ocorre quando o eleitor troca sua primeira opção por uma candidatura com maior presença na disputa.

Galvão avalia que esse movimento pode alterar a conta, mas depende de como os votos serão redistribuídos. “O voto útil só encurta a eleição quando concentra votos. Se ele apenas redistribuir o eleitorado entre os dois polos, muda a distância entre eles sem necessariamente eliminar o segundo turno”, afirma.

Immich adota maior cautela ao analisar essa possibilidade. Segundo ele, não é possível considerar os votos das candidaturas menores como automaticamente disponíveis para Lula ou Flávio. Os eleitores podem manter a escolha, migrar para diferentes candidatos, votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas.

O desempenho dos demais candidatos, portanto, também entra na conta. Enquanto uma parcela relevante dos votos válidos permanecer distribuída entre outras candidaturas, aumenta a dificuldade para que um dos líderes ultrapasse sozinho a maioria absoluta.

Flávio E Lula 2026 (2)
Flávio E Lula 2026 (2)

Immich adota maior cautela ao analisar essa possibilidade. Segundo ele, não é possível considerar os votos das candidaturas menores como automaticamente disponíveis para Lula ou Flávio. Os eleitores podem manter a escolha, migrar para diferentes candidatos, votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas.

O desempenho dos demais candidatos, portanto, também entra na conta. Enquanto uma parcela relevante dos votos válidos permanecer distribuída entre outras candidaturas, aumenta a dificuldade para que um dos líderes ultrapasse sozinho a maioria absoluta.

Pesquisas são retrato do momento
Mesmo na reta final, mudanças ainda podem ocorrer. Debates, acontecimentos de grande repercussão e alterações na decisão de eleitores podem movimentar os percentuais. Para Immich, porém, uma vitória no primeiro turno exigiria uma concentração relevante de votos em uma única candidatura, movimento que, segundo ele, ainda não aparece nessa dimensão nos levantamentos.

Os especialistas também alertam que pesquisas eleitorais não devem ser tratadas como antecipação do resultado nas urnas. Os levantamentos usam metodologias, amostras, períodos de coleta e formas de abordagem diferentes, fatores que podem produzir variações entre os resultados.“Pesquisa é muito boa para mostrar onde a eleição está. É bem menos segura para dizer exatamente onde ela terminará”, resume Galvão.

Por Nathallie Lopes
Fotos : Imprensa Nacional
Reprodução : Top News Goiás

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