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TACÃO: DAS GLÓRIAS E VITÓRIAS NA ELITE DO FUTEBOL GOIANO À VERGONHA DO REBAIXAMENTO

De orgulho de uma cidade a motivo de indignação,rebaixamento escancaram o fracasso da gestão, a falta de planejamento e o abandono de um dos maiores símbolos esportivos de Trindade.

Foto Revista Acontece News
Foto Revista Acontece News

A queda do Trindade Atlético Clube representa muito mais do que um resultado negativo dentro de campo. É o retrato do abandono, da falta de planejamento e da incapacidade de preservar um dos maiores símbolos da história esportiva de Trindade.

A notícia chegou logo nas primeiras horas da manhã, ao receber o Informativo Trindadense, do amigo jornalista esportivo e comunicador Alair de Paula. Entre as matérias publicadas, uma manchete chamou imediatamente minha atenção, em letras garrafais: “TACÃO É REBAIXADO DEPOIS DE FICAR 18 RODADAS NA ZONA DA DEGOLA”.

Uma manchete que dói. Uma notícia que envergonha e entristece quem conhece a história do futebol trindadense e acompanhou os grandes momentos do nosso glorioso Tacão.

É lamentável ver um clube com tanta tradição chegar a esse ponto. Mais revoltante ainda é observar cidades menores, com menor capacidade de arrecadação e estruturas aparentemente mais modestas, como Bom Jesus, Morrinhos, Jussara, entre outras, conseguindo se destacar no cenário estadual, enquanto Trindade assiste passivamente ao enfraquecimento de seu único representante no futebol profissional.

Como pode uma cidade que já teve um clube gigante, capaz de disputar a elite do futebol goiano de igual para igual com Vila Nova, Goiás, Atlético Goianiense, Goiânia e outras grandes forças do nosso futebol, permitir que sua história seja reduzida a uma sequência de derrotas, fracassos e rebaixamentos?

UM PASSADO DE GLÓRIAS, UM PRESENTE DE ABANDONO

Foto arquivo Revista Acontece News
Foto arquivo Revista Acontece News

Como filho de Trindade, vivi momentos inesquecíveis ao lado do Tacão. Estádios lotados, torcida vibrante, arquibancadas tomadas pela paixão, comércio movimentado e uma cidade que respirava futebol nos finais de semana.

O Tacão não era apenas um time. Era entretenimento, geração de renda, movimentação econômica, orgulho popular e, acima de tudo, um patrimônio afetivo da população trindadense.

Hoje, infelizmente, o cenário é outro. O que antes era motivo de orgulho transformou-se em decepção. O clube perdeu força, perdeu torcedores, perdeu credibilidade e, principalmente, perdeu o respeito que havia conquistado no futebol goiano.

Para o torcedor, não se trata apenas de cair de divisão. Trata-se de assistir à destruição gradual de uma história construída com suor, dedicação e paixão por gerações de atletas, dirigentes e apaixonados pelo futebol.

ONDE ESTÁ A RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO?

É impossível discutir a situação do Tacão sem questionar a responsabilidade de quem administra o clube e também de quem governa Trindade.

A cidade tem um prefeito que já foi goleiro e que conhece, pelo menos em tese, a importância do esporte. Como permitir que um dos maiores símbolos esportivos do município chegue a uma situação tão vergonhosa sem que haja uma política efetiva de apoio, incentivo e fortalecimento do futebol local?

Enquanto gestores de outros municípios buscam alternativas para valorizar suas equipes, fomentar o esporte e fortalecer a identidade de suas cidades, Trindade assiste ao declínio do Tacão.

E ficam algumas perguntas que precisam de respostas: onde estão os projetos de incentivo ao esporte? Onde estão as políticas públicas de fortalecimento do futebol? Os recursos e as emendas parlamentares destinados ao município não poderiam contribuir para a construção de uma estrutura esportiva mais sólida?

Não se trata de afirmar que recursos públicos devam ser repassados indiscriminadamente a um clube de futebol. Trata-se de cobrar planejamento, transparência, responsabilidade e políticas públicas que valorizem o esporte, respeitando a legislação e o interesse coletivo.

Também é necessário cobrar explicações dos dirigentes e administradores que passaram pelo comando do clube. Afinal, a responsabilidade não pode ser atribuída exclusivamente ao prefeito. Quem administrou o Tacão precisa prestar contas à torcida e à população.

É muito conveniente que, diante de um fracasso dessa dimensão, todos procurem um culpado, mas poucos estejam dispostos a assumir suas próprias responsabilidades.

fotos Revista Acontece News Arquivo_
fotos Revista Acontece News Arquivo_

O TACÃO NÃO CAIU SOZINHO

Um rebaixamento raramente é resultado de um único episódio. É consequência de decisões equivocadas, ausência de planejamento, fragilidade administrativa e falta de continuidade de projetos.

Permanecer 18 rodadas na zona de rebaixamento é um sinal evidente de que os problemas não surgiram de uma hora para outra. Houve tempo para identificar erros, corrigir rumos e buscar soluções.

Mas o que se viu foi um clube cada vez mais distante de sua grandeza histórica.

Nos últimos anos, o Tacão perdeu muito mais do que partidas. Perdeu brilho, perdeu torcedores, perdeu espaço e perdeu a capacidade de mobilizar uma cidade que já teve orgulho de vestir sua camisa.

O resultado está estampado na classificação e, principalmente, no sentimento de uma torcida que já não encontra motivos para acreditar.

DEPOIS DA VIA SACRA, AGORA O FUTEBOL: O QUE MAIS TRINDADE VAI PERDER?

Existe uma reflexão ainda mais profunda por trás dessa queda.

Trindade vem assistindo ao enfraquecimento de referências que ajudaram a construir sua identidade histórica e cultural. A Via Sacra, patrimônio simbólico e cultural da cidade, também foi alvo de questionamentos e perdas que marcaram a memória de muitos trindadenses.

Agora, é o futebol que sofre com o abandono e a falta de valorização.

São histórias diferentes, mas que despertam a mesma preocupação: o que está sendo feito para preservar aquilo que representa a memória, a identidade e o orgulho do nosso povo?

Primeiro, as preocupações com a preservação de um patrimônio cultural. Agora, a decadência de um patrimônio esportivo e afetivo.

A pergunta que fica é inevitável: qual será o próximo símbolo da história de Trindade a ser esquecido, abandonado ou destruído?

Não podemos aceitar que nossas referências desapareçam enquanto assistimos passivamente. Uma cidade não é construída apenas com obras, inaugurações, números e discursos políticos. Uma cidade também é feita de memória, cultura, esporte, tradição e pertencimento.

estadio_abrao_manoel_da_costa
estadio_abrao_manoel_da_costa

TRINDADE PRECISA RESGATAR SUA HISTÓRIA

O rebaixamento do Tacão deveria servir como um alerta para toda a sociedade trindadense. É hora de cobrar explicações, exigir responsabilidades e, sobretudo, construir um projeto sério para recuperar o clube.

Não basta lamentar a queda. É preciso identificar os erros, responsabilizar quem falhou e estabelecer um planejamento capaz de devolver ao Trindade Atlético Clube a dignidade e a grandeza que um dia fizeram dele motivo de orgulho para nossa gente.

O Tacão não pertence a um prefeito, a um dirigente ou a um grupo político. O Tacão pertence à história de Trindade e à sua população.

O que aconteceu não pode ser tratado como mais uma derrota esportiva. É uma derrota institucional, administrativa e, acima de tudo, simbólica.

Uma cidade que não preserva sua história corre o risco de perder sua própria identidade.

Trindade não pode continuar apagando suas conquistas, esquecendo suas raízes e abandonando aquilo que representa o orgulho de seu povo.

Porque não existe progresso verdadeiro sem memória, não existe futuro sem identidade e não existe desenvolvimento que justifique o abandono da própria história.

O Tacão já foi gigante. Trindade merece voltar a ter orgulho de seu futebol. E essa história não pode terminar em uma arquibancada vazia.

Por : Wellintom Stival

Direto da redação 

Fotos : Arquivos da Revista Acontece News 

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